…Eu Por Mim Mesma
Meu nome: não importa.
Não é o que faz as pessoas me conhecerem. Minhas idéias sim, estas me traduzem bem.
Sou uma canceriana do dia 25/06 , iniciando os 30, carioca da clara, afinal não nasci no Rio, mas foi ele quem me fez. Sorrio bastante, e resmungo mais ainda. Amo frio, odeio calor. Não tenho nada marrom e AMO vermelho em todas as suas nuances. Mato e morro por sorvete de menta e só de pensar na possibilidade de ter que comer algo que voe, ponha ovos e/ou tenha penas, me dá arrepios! Sou curiosa, amiga, espirituosa, espontânea, extremamente sincera, ansiosa, “falsa tímida” (quando me espalho… ahhhh… ninguém me junta!), amorosa, divertida, irreverente e brincalhona. Sou independente e decidida, de um modo geral bastante “bem resolvida” e tenho um bom coração. Sarcástica, sempre a querer saber de tudo, sempre a querer ter respostas, sempre a ter um POR QUE em mente. DETESTO mentiras e tenho horror a omissões por má fé!Gosto de gente. Gente de verdade, gente que sente, gente que fala, gente que não mente! Gosto de gente de talento porque gente assim reconhece o talento da gente. Sou de lua e de extremos. Oito ou oitenta. Calma ou nervosa. quente ou frio. Pessoa ou Caras. Rock ou MPB. Programa cabeça ou novela. Proteína de soja ou Trakinas. Salto alto ou pé descalço. Anjo ou capeta…Não existo no meio termo.
A “Lolita”, não aquela que remete à ninfeta, à pubescente sexualmente atraente e/ou precoce, ou mesmo à moda gótica japonesa, mas a aquela menina serelepe, sapeca e peralta, eu faço questão de manter viva dentro de mim. Nabokov roubou meu coração quando também adicionou à Lolita um ar inadvertidamente inconseqüente, quase que ingenuamente sem juízo, que parece se divertir muito “tirando sarro” do perigo. Estas ultimas características não são parte da minha natureza então eu procuro desenvolver e praticar, por que ter juízo ao extremo, ser séria em demasia limita demais nosso viver. Quem sabe um dia eu consiga achar o ponto de equilíbrio entre a menina e a mulher, a inconseqüente e a responsável… Por enquanto, cultivar a menina sempre alegre e serelepe dentro de mim será sempre uma obrigação diária comigo mesmo. A inocência e a pureza infantil, estas infelizmente a gente perde. A inocência e a pureza da alma, destas certamente eu não abro mão jamais. Não me adapto, não me submeto, não me acovardo, não me omito, não pratico o que condeno, não quero ser unanimidade, não busco perfeição alguma, não imploro amor, não suplico por amizade, não me rendo ao ódio, não me vendo, não compro ninguém, não bajulo, não transijo quanto aos meus valores e não estou nem aí se me debitam todos os defeitos e me creditam virtudinhas de prateleira ! Vivo e deixo viver. Não sou agente ativo e nem passivo de nada… SOU GENTE! Viver é bom demais, simples demais, dadivoso demais, para gastar muito desse viver em coisas que, afinal, não me fazem nem maior e nem melhor!
Acredito no tempo. E em suas conseqüências. Acredito no bem. Na força das pessoas e coisas que vibram para o bem. Acredito no pedaço do Deus que vive em mim. E tento controlar a outra porção. Acredito na velhice. Na sua sabedoria. Acredito que, no final, eu já tenha convertido a outra parte. Acredito na purificação de minhas qualidades e defeitos. Na formação de alguma coisa mais coerente. Nem boa, nem má. Simplesmente mais determinada. Forte o suficiente para se livrar de mim.
Sonho encontrar olhos que sonhem tanto quanto os meus e que encontrem seus sonhos nos meus. Sonho também, em reconhecer no brilho deste mesmo olhar, o sorriso dos que virão de dentro de mim.
”Assim como Clarice eu gosto dos cafés fortes e dos venenos lentos. Assim como Pessoa, estou farta de Deuses e semi Deuses, procuro gente no mundo. Assim como Vínicius, penso que uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza e, prefiro o céu pela paisagem e o inferno pela companhia. Assim como Cecília, eu apredi com a primavera a me deixar cortar, e a voltar sempre inteira. Assim como Nelson Rodrigues, eu aprendi a não facilitar com os bons e nem a provocar os puros. Também sei, assim como Neruda, que morre lentamente quem não encontra graça em si e quem destrói seu amor-próprio”.
Está vendo?
Enganaram-te, não sou nada complicada!



