
A infância é a fase mais importante da nossa vida, é ali que descobrimos limites, verdades, mentiras e mitos. É quando adquirimos nossas mais preciosas memórias. Na nossa infância tudo é mágico, desde o pirulito super colorido até o céu da amarelinha. Na infância ter alegria e ser feliz é muito mais simples, com agrados pequenos nos sentimos bem. Se ganhamos 10 moedas de 1 centavo ficamos pulando de alegria pensando que estamos ricos. Se ganhamos um giz da professora nos sentimos reis, e quando ela nos elogia na frente de toda classe? Nossa, parece que conquistamos o mundo. Nossas alegrias e nossas decepções são feitas de minutos. Em um minuto estamos chorando e no outro já estamos brincando. A vida de adulto só tem estresse e os momentos de felicidade são poucos. O mundo adulto é muito complicado. Sinceramente, gostaria de ter 5 anos de idade para sempre e pensar que a vida gira em torno de mim. Saber que meus avós maternos e minha mãe sempre vão fazer tudo por mim e vão resolver meus problemas. Dói demais crescer e no fundo acho que sempre vou querer ser cuidada. Graças a Deus ainda guardo em mim um lado de criança lindo. Consigo enxergar pelos dois focos. O de criança e o de adulto. E dependendo do momento ajo como um ou com outro.
Outro dia jogando conversa fora com minha mãe ela relembrou uma passagem da minha infância que por mais engraçada e marcante que foi eu não lembraria sozinha. Eu ri muito de mim aos 4 anos. E contei para um amigo a história… E ele vem me cobrando há muito tempo o porque de não transformar minha histórias hilárias do dia a dia mais frequentemente em posts. Ele sempre menciona em especial essa. Aí aproveitei o clima de nostalgia e saudosismo e até como forma de homenagem ao meu avô, que hoje estaria completando mais uma ano de vida, se não tivesse morrido há quase 8 anos, resolvi guardar para hoje esta história. Um dia que mesmo de ausência, ainda assim merece muita celebração.
(Willie I really hope you have read this post up to here…..cause I´m doing what I promised you…a post telling the ice cream story!!)
Contar histórias engraçadas por escrito não é meu forte…elas perdem todo o encanto enquanto piada. Não tem timing, entonação de voz, imagem… Então não esperem uma super piada…eu classificaria mais com uma memória da minha vida… e só.
Meu avô, era gráfico e depois que ele se aposentou e se desfez da gráfica, lá em casa tinha todo tipo de papel, cartão, cartolina e guilhotina . Todo tipo de gramatura e variedade de cores e tamanhos. E eu nunca fui uma criança que brinca de boneca e de casinha. Eu sempre gostei muito mais de artes, de pilot, de lápis de cera, massinha, tintas e coisas do gênero.
Meu Avô sempre foi um doce de criatura, uma pessoa inacreditavelmente adorável…mas que quando tirava para ser grosso…sai de baixo! Só o olhar dele dava medo…fazia a gente se tremer toda. E eu sempre fui meio descarada, super espirituosa, espontânea irreverente, quase anárquica.
Dos meus três anos até os seis anos de idade moramos todos juntos: eu, minha mãe (minha irmã já nasceu na casa dos meus avós) minha tia e meus avós. Qualquer meia visita que chegava lá em casa já parecia que era uma festa que estava rolando… Afinal era tanta gente junta.
Um dia quando eu tinha 4 anos, uns amigos da família foram nos visitar e conhecer minha irmã que já tinha alguns meses. E sabe como é criança, não presta atenção em nada, mas não perde um lance da conversa de adulto! Essa era eu. Neste dia minha avó ofereceu sorvete para as visitas, que disseram que naquele momento não, que talvez mais tarde. Pronto! Foi o que bastou…foi como dizer a senha, a palavra mágica para mim. Eu fiquei totalmente indócil e passei a perturbar meeeesmo.
“- Quero sorvete!”, “- Vovó serve o sorvete!”, “-Mamãe pede sorvete para a vovó?”.
Como ninguém me dava atenção e continuava o papo sem me notar eu comecei a cantar musiquinhas sem sentido falando de sorvete. Foi quando no meio da babel de todo mundo falando ao mesmo tempo que eu ouvi o grito derradeiro daquele que bastava um olhar sério que eu me tremia toda (e ele realmente estava bravo):
- Filhinha, se você falar, mencionar sorvete mais uma vez, o vovô vai te levar na cozinha e vai te dar uma chinelada que você jamais esquecerá!
Finalmente o silêncio tinha achado lugar na sala! Todo mundo me olhando e sem dar um pio. Eu de olhão arregalado e raso d`água não tive duvidas: levantei caladinha abri o meu armário de bagunça peguei a maior folha de papel que eu achei, meus pilots mais grossos.
A esta altura a babel já tinha voltado ao normal.
Espalhei tudo no meio da sala, nos pés dos meus avós e das visitas e não perdi tempo. Comecei a desenhar o maior sorvete que eu conseguia fazer….
E outra vez o silencio invadiu a sala! Mesmo tentando disfarçar por alguns segundos, caiu todo mundo na gargalhada. Minha avó se limitou a levantar e dizer:
-Já volto! Vou dar ordem para a empregada servir o sorvete!
FELIZ ANIVERSÁRIO, VOINHO!

Mesmo que passem 5, 10, 20, 1000 anos ainda assim o dia 05 de fevereiro será um dia de comemoração para mim!
Um dia importante na minha vida. Não tem um dia que eu não me lembre de nossos dias juntos..Mas o dia 05/02 é um dia especial! Dia de lembrar de você o dia todo!
Voinho,
Tudo tem seu tempo
Espaço e lugar.
Eu quero
Ocupar um lugar
No espaço
Ao seu lado.
Enquanto este momento
Não chega, meu porto seguro,
Meu tutor, meu anjo da guarda,
Meu referencial de certo e errado,
Meu tudo e meu nada, enfim, meu avô:
Cuida bem de mim
Vela meu erros
E meus acertos
De onde estiver,
Com o carinho
Que sempre fez!
TE AMO CADA VEZ MAIS.